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O que você queria saber sobre o clareamento dental

Com o surgimento das diferentes técnicas de clareamento dental e inúmeros produtos no mercado surgem também muitas dúvidas aos pacientes que desejam ter seus dentes um pouco mais brancos.

Os dentes possuem camadas chamadas esmalte (mais superficial) e dentina (mais interna). O esmalte é translúcido, refletindo a cor da dentina que se encontra logo abaixo dele. Há vários tipos de manchamentos nos dentes, os quais dividimos em 2 grupos designados manchamentos extrínsecos (pigmentos provenientes da dieta, corantes ou tabaco) e intrínsecos (pigmentos que surgem com o envelhecimento dos dentes, manchas de restaurações metálicas, traumatismos, dentes com canal tratado ou ainda antibiótico-terapia com tetraciclina na infância). Os manchamentos extrínsecos são facilmente removidos com uma boa limpeza, no entanto os intrínsecos estão impregnados na dentina, onde a escova e os métodos mecânicos de limpeza não chegam.

O mecanismo de ação dos géis clareadores se baseia no efeito oxidativo do peróxido de hidrogênio (H2O2) o qual se difunde pelos canais do esmalte e chega na dentina, momento em que é clivado e libera moléculas de oxigênio livres que irão se ligar às moléculas dos pigmentos de forma a quebra-las em moléculas menores, capazes de passar pelos canalículos dentinários para fora do dente ou se tornam tão pequenas que ficam imperceptíveis, provocando então o clareamento.

Agora que você já sabe um resumo do princípio do clareamento vamos às dúvidas:

Os dentes de todos os pacientes clareiam na mesma proporção?

Assim como a intensidade e causa dos manchamentos variam de pessoa para pessoa, a efetividade do gel também irá variar entre pacientes. Muitos pacientes respondem muito bem ao peróxido logo na primeira sessão, outros têm que passar por 2 ou 3 sessões e ainda assim não chegam a ter os dentes tão brancos quanto os do primeiro caso. Cada dente tem um ponto de saturação, que ao ser atingido não reagirá mais ao peróxido.

Os meus caninos são mais escuros que os outros dentes, posso deixar todos na mesma cor?

Os caninos são mais escuros por natureza pois são dentes mais robustos com maior quantidade de dentina. É importante que os caninos sejam levemente mais escuros para que o sorriso transpareça a curva que deve ter, os caninos da mesma cor dos incisivos centrais, por exemplo, vão transmitir a sensação de sorriso reto “piano”, que não é desejável.

Vai doer? Tenho muita sensibilidade

A sensibilidade também varia muito de um paciente para outro. Muitos pacientes passam pelas sessões de clareamento sem qualquer sensibilidade exagerada, enquanto outros se queixam da sensação dolorosa durante horas. O que acontece é que, principalmente pacientes mais velhos, geralmente apresentam trincas no esmalte que fazem o gel penetrar além da dentina e agredir a polpa do dente (nervo que fica abaixo da dentina), além disso o limiar doloroso (resistência de cada um a dor) também é variável. A alternativa para pacientes com muita sensibilidade está na próxima pergunta.

Clareamento de consultório ou caseiro?

O clareamento de consultório é um clareamento supervisionado no qual se usa o gel de peróxido de hidrogênio a 35 ou até 40%. Nessa técnica, o paciente se prepara para uma sessão longa no consultório, durante a qual permanecerá com um afastador labial. Geralmente são necessárias 2 ou 3 sessões de consultório para atingir o ponto de saturação do clareamento e o paciente não precisa usar nada em casa. O inconveniente desta técnica, é que por usarmos um gel mais concentrado, o risco de sensibilidade é maior. Como alternativa, temos o clareamento caseiro, no qual a partir de uma moldagem confeccionamos placas de vinil que serão adaptadas a arcada dos pacientes e estes farão o uso do gel em casa, um gel bem menos concentrado, variando da concentração de 10 a 22%. A sensibilidade provocada com essa técnica é certamente menor, no entanto o paciente deve permanecer com a moldeira em torno de 3 horas por dia durante pelo menos 1 semana, o que faz com que muitos pacientes acabem não cumprindo com o protocolo da maneira correta e isso influencia no resultado final. No geral, o resultado com a técnica caseira feita corretamente fica muito satisfatório e até mais duradouro do que no clareamento pela técnica de consultório.

Meu dente ficou escuro depois que tratei canal, vai clarear??

Em muitos casos conseguimos voltar a cor do dente através do clareamento dental interno, no qual utiliza-se outro agente chamado perborato de sódio. No entanto, na maioria dos casos é muito difícil recuperar a cor original desses dentes, sempre ficando um fundo acinzentado, o que acaba sendo indicação para as facetas laminadas (próteses de porcelana coladas sobre os dentes).

Com luz, sem luz, led ou laser??

A utilização das fontes de luz, seja led ou laser, no clareamento dental teriam como objetivo acelerar a reação do peróxido e assim melhorar o resultado em menos tempo.  Entretanto, estudos feitos ao longo da última década mostraram que não há diferença significativa no resultado do clareamento ou até na sensibilidade dentária utilizando-se uma fonte de luz ou não. Você pode conferir esses resultados na revisão de literatura intitulada “In-office dental

bleaching with light vs. without light: A systematic review and meta-analysis.”  publicada em março de 2018 no Journal of Dentistry por Maran BM et al., que analisou os 21 artigos mais recentes e relevantes publicados sobre este tema. Assim, não deixem que te cobrem a mais por usarem uma luz ou não.

O dente fica fraco depois de clarear?

Os dentes ficam mais porosos durante o clareamento pois o peróxido é ácido, no entanto, as aplicações de flúor após a sessão de clareamento e as propriedades da própria saliva são suficientes para reverter essa porosidade de forma a não deixar consequências para o paciente. Mesmo assim, não é recomendável que sejam feitas muitas sessões em um curto período de tempo.

Posso tomar café?

Como já dito, o dente fica mais permeável durante o clareamento, então indica-se a diminuição de dieta cromógena, isto é, café, vinho, coca-cola, chá-mate, etc. Não só pelo pigmento, mas também pelo baixo pH dessas substâncias que aumentam ainda mais a erosão e a sensibilidade.


Mitos e verdades sobre os implantes dentários

Os implantes dentários desde meados da década de 70 têm sido a melhor alternativa para reabilitação de áreas edêntulas em pacientes de qualquer idade a partir dos 18 anos. Consistem em “raízes artificiais” feitas de titânio, capazes de se integrarem ao osso, formando um corpo único com este e assim podendo servir de suporte para dentes artificiais, as chamadas próteses dentárias.

Muitas crenças infundadas sobre este tipo de reabilitação têm sido difundidas e por isso é importante esclarecermos os fatos sobre o tratamento com implantes:

  1. Qualquer pessoa pode por implante, basta ter grana?
    A instalação de implantes depende da quantidade óssea em altura e espessura e também da qualidade do osso. Há diferentes tipos ósseos pelos maxilares e a variação na qualidade do osso pode ser um fator que leve a perda do implante. Pessoas que perderam os dentes há muito tempo também podem ter reabsorções ósseas significativas, que dificultam a instalação dos implantes. Além disso condições sistêmicas e bucais não tratadas dos pacientes podem contra-indicar o tratamento, como por exemplo diabetes descompensada, uso de tabaco, doença periodontal, etc.
  2. Coloquei implante e deu rejeição.

Mito. Não há rejeição de um implante pelo material ou porque o organismo reconheceu o pino como um corpo estranho. O titânio é um material inerte, isto é, algo que biologicamente não reage nem se deteriora. Há várias causas dos insucessos de implantes e entre elas podemos citar a infecção, que pode ser precoce (dentro das primeiras semanas após a cirurgia) ou tardia (causada pelo acúmulo de placa bacteriana que leva a diminuição do nível ósseo que suporta o implante). Além de infecção, um implante pode ser perdido devido a qualidade do osso em que foi instalado. Existem regiões nos maxilares em que os ossos não são tão irrigados com sangue, o que dificulta o processo de osteointegração. O uso de certos tipos de medicamentos também pode ser um fator limitador para o tratamento. 

  1. Não tenho osso mas minhas chances de receber um implante não estão perdidas.

Verdade. Com o avanço da ciência surgiram os enxertos ósseos, os quais podem devolver aos pacientes espessura e altura óssea. Um cirurgião-dentista bem preparado saberá quando indicá-los no planejamento de cada caso.

  1. Fiz um implante hoje e posso sair com a prótese em 48hrs.
    Verdade, porém há indicação muito específica. No geral, os implantes instalados devem permanecer livres (sem prótese) em torno de 3 a 4 meses, para que haja formação óssea completa em torno deles para então receberem a prótese. No entanto, há possibilidade de realizar a chamada carga-imediata, na qual o dente é colocado sobre o implante imediatamente ou dentro das primeiras 48 horas após sua instalação. Para esse procedimento são necessários alguns pré-requisitos como boa quantidade e qualidade óssea, pois será necessário usar o implante mais longo e com maior diâmetro possível, e além disso bom travamento do implante durante a cirurgia. Sobre esses implantes serão instaladas próteses provisórias que devem ser substituídas pelas definitivas depois de 3 meses.
  1. Coloquei implantes, não preciso mais escovar os dentes
    Os cuidados com o implante são os mesmos que se deve ter com os dentes naturais. O acúmulo de placa ao redor dos implantes faz com que haja diminuição do osso que o suporta, essa perda óssea é ainda mais acentuada com implantes do que ao redor de dentes, já que o suprimento sanguíneo que traz células de defesa é reduzido ao redor dos implantes quando comparado àquele que chega aos tecidos ao redor de dentes. Portanto, siga as orientações de higiene do seu dentista! Elas vão garantir a longevidade do seu implante.
  1. A cirurgia é tranquila e nem demora tanto assim
    Obviamente o tempo e complexidade das cirurgias de implante variam conforme o número de implantes planejados e a necessidade ou não de enxertos ósseos, mas em geral as cirurgias de implante são rápidas e sem dor, já que são feitas sob efeito de anestesia local. Em casos de implantes unitários por exemplo, o tempo do procedimento deve variar entre 40 min a 1 hora e geralmente a prescrição pós-operatória se limita a analgésicos apenas.